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Lesley Edwards vai direto ao centro do desafio que confrontamos diariamente – a reconstrução e a manutenção da elevada autoestima.

No primeiro artigo sobre a construção da autoestima (veja A Bela e a Fera), descrevi os primeiros dois passos, a saber, conhecendo-se e aceitando-se: conhecer e aceitar você mesmo como é, bom e mau; e saber e aceitar você como poderia ser, fazendo a escolha para perceber o seu potencial completo para uma transformação positiva e apreciar o processo espiritual que torna isso possível. Tendo entendido e aceitado de onde você vem e para onde você vai, o próximo passo é comprometer-se com a jornada. O desafio de construir a autoestima verdadeira é uma peregrinação na busca do Santo Graal. O Santo Graal é o nosso valor, nosso propósito na vida, nossa dignidade, nossa beleza, amor verdadeiro e uma paz mental preenchedora. Jornadas podem ser coisas perigosas. Às vezes é mais seguro permanecer em casa com o conforto da recusa e apegos e sistemas de suporte que nos dizem o quão maravilhosos somos – abençoadamente ignorantes de todo o trabalho que precisa ser feito. É quando nos aventuramos fora de nossas zonas de conforto que somos testados e desafiados. 

 

PROTEJA-SE

O terceiro passo para construir a autoestima é proteger-se. Isso significa ter cuidado. Você tem inimigos. Haverá forças trabalhando para impedi-lo de alcançar a sua “Sala da Alma”, aquele espaço interno onde você pode sustentar a sua consciência de alma e cultivar a sua conversa com Deus. Vozes vão chamar por você a partir de outras salas. “Onde você está?”, “Precisamos de você aqui!” Elas vão impedi-lo de saber e aprender sobre Deus, o mestre arquiteto do seu novo eu.

Numa peregrinação, enquanto você está reconquistando a sua autoestima, é melhor viajar sozinho pelo menos durante a parte substancial da jornada. O propósito da sua vida no momento é achar o Santo Graal. Mas isso não é um fim em si mesmo. O mais importante é o que você fará com ele depois que o encontrar. Então, o propósito da sua vida é doar, expressar, compartilhar o que você achou. É verdade que num certo sentido você não pode separar os dois, pois ao doar, expressar e compartilhar você também se descobre. Mas é um equilíbrio delicado e, como tal, facilmente perdido. Portanto, se estiver viajando próximo a outros, assegure-se de dar-se espaço suficiente.

Enquanto Noé construía a sua arca, as pessoas vinham e caçoavam dele. “O que está fazendo, Noé?” Eles pensavam que Noé estava louco. Pode ser que os outros não entendam por que você quer ir à sua Sala da Alma para ficar quieto e conhecer Deus. A lagarta não é a fase mais atraente na vida da borboleta, mas é um passo essencial. Sem lagarta, sem borboleta, é simples. Deus tem uma ordem de preservação sobre você nessa época. Confie e tenha a fé de que se você continuar indo para dentro de si a fim de encontrar poder, então, o poder fará o seu trabalho.

Proteger-se tem muito a ver com os relacionamentos na sua vida, seu relacionamento consigo mesmo, com Deus e com outras pessoas. Ponha seu relacionamento consigo e com Deus em primeiro lugar. Suas lições virão através de outras pessoas, mas não perca de vista quem está aprendendo e quem está ensinando.

Os relacionamentos com os outros são um modo de nos conhecermos num nível mais profundo. Eles são intensos, interessantes e verdadeiros. Precisamos de alguém para nos sacudir, para espelhar de volta para nós a nossa realidade. Mas precisamos ter cautela em relação ao que eles estão espelhando de volta, qual realidade, qual identidade. Se você está numa peregrinação para encontrar a sua verdadeira identidade, tenha cuidado com o que as outras pessoas veem em você, pois você se verá com aqueles olhos também, e isso poderá dar-lhe uma sensação falsa de segurança; você pensa que está bem, quando na realidade há muito com o que poderia estar trabalhando em si. Quando você é próximo a algumas pessoas, sua percepção fica misturada com a percepção deles; às vezes você não pode sequer dizer se seus sentimentos são seus mesmos ou deles. Se eles não estão vendo a si próprios claramente, irão projetar o que eles não gostam neles em você, e se você não estiver fazendo o seu trabalho adequadamente, projetará neles aquilo de que não gosta em você! Todos os relacionamentos são uma troca de força, as pessoas competem por energia: A e B tomando suporte um do outro, até que A não tenha mais a energia ou interesse e retira o sentimento. E B, tendo se tornado dependente, é então incapaz de encontrar aquela energia tanto de dentro quanto de qualquer outro lugar.

Num relacionamento ideal haverá uma troca de amor de alta qualidade. Uma pesquisa científica recente de Nova York, que tem atraído a atenção da mídia, identificou três tipos de amor: luxúria, atração e apego. Luxúria e atração falam por si mesmas. Elas podem ser muito divertidas, mas pode haver um preço muito alto a pagar em termos de sua autoestima, e elas, por fim, causarão distração para qualquer um numa peregrinação verdadeira. O apego talvez prometa um amor mais profundo, mas quantas pessoas você conhece que não podem viver um sem o outro, mas que não podem realmente viver um com o outro também? Eles amam odiar um ao outro! Portanto, seja cuidadoso com a qualidade de seus relacionamentos. Você realmente está preparado para amar outro ser humano adequadamente? Ou precisa aprender a amar-se primeiro?

As coisas que nos atraem às outras pessoas são frequentemente qualidades que nós mesmos gostaríamos de ter. Se somos calmos e gentis, poderemos achar atraentes as pessoas extrovertidas e confiantes. Se somos fortes e dinâmicos, poderemos achar atraentes as pessoas gentis e calmas. Em qualquer caso, a única e verdadeira solução definitiva é encontrar dentro de nós qualquer qualidade que estamos procurando no outro. Isso porque o poder que pode ser encontrado no retorno ao estado natural da alma tem todos os ingredientes necessários para a confecção de qualquer qualidade.

Dentro da lagarta da transformação espiritual existe um equilíbrio perfeito de qualidades; um equilíbrio do masculino e do feminino dentro de todos nós. Assim, todos podemos ser fortes e gentis, responsáveis e livres, aventureiros e cautelosos. Quando vemos a alquimia daquilo que foi fraco tornar-se forte, daquilo que foi idealista tornar-se visionário, daquilo que foi preocupação tornar-se liberdade – então, os relacionamentos mudam de dependentes para interdependentes, de prejudiciais para saudáveis.

Deus nos ensina a amar a nós mesmos. Por Ele não ter nenhuma agenda escondida, Ele refletirá de volta para nós somente nossas qualidades mais elevadas. Nós não seremos capazes de projetar Nele nossas próprias fraquezas; simplesmente teremos de aceitá-las e nos apropriar delas. Ele não se projetará em nós, porque Ele não tem fraquezas. Ele não tirará nossa força, nem retirará o Seu poder, porque é ilimitado. Ter um relacionamento com Deus é necessário quando nossas baterias acabam. E isso é o que pode acontecer para qualquer um procurando pela autoestima.

 

POTENCIALIZAÇÃO

O passo final para construir a autoestima é se potencializar. A força vem de todos os tipos de lugares. Algumas energias serão temporárias, como a excitação da cafeína ou da cocaína, que termina deixando você se sentindo por baixo. O ímpeto da energia de uma atração temporária também pode deixá-lo sentindo-se vazio quando enfraquece, ou machucado quando não é recíproco. Até mesmo voar alto no sucesso e nas aquisições leva consigo a inevitabilidade de descer à Terra com um choque quando existe criticismo e mal-entendido.

A energia verdadeira o deixará tranquilamente confiante, contente, satisfeito, receptivo, amoroso e em paz. Você se sentirá conectado à sua própria bondade interior, à fonte de bondade do universo e à bondade nas outras pessoas. Você ficará estável e calmo quando as coisas estiverem indo bem ou mal. Você não precisará culpar ou criticar alguém ou algo.

Você se amará – o que significa cuidar de suas necessidades físicas, comendo a comida apropriada, fazendo exercícios. Você despenderá tempo sozinho sendo criativo, meditando ou apreciando o silêncio, feliz com sua própria companhia e feliz na companhia dos outros. Conhecerá suas limitações e delineará fronteiras claras com confiança e calma quando estiver no trabalho e em compromissos.

Para manter esse estado de autoestima, você precisará ser muito cauteloso sobre o que causa perdas à sua força interior. A força escoará se você não for verdadeiro consigo mesmo. Todos nós temos um barômetro interno que nos indicará quando estivermos fora da trilha. Profundamente dentro da alma, na silenciosa Sala da Alma do nosso ser, está a nossa consciência. É nossa sabedoria interna, a parte de nós que sabe realmente que o amor é um estado do ser mais natural do que o ódio, que a paz é mais natural do que o estresse. E ela sabe quando violamos nossa própria verdade através de nossas fraquezas, compulsões e sendo influenciados pelos outros. Nossa consciência dói. Tornamo-nos prisioneiros de nossa própria consciência. Eu disse anteriormente que Deus não recolhe Seu poder, mas nós podemos nos privar de tomar o poder da bondade de Deus, e encontrar força na nossa própria bondade se não somos verdadeiros com nós mesmos. Se nos enganamos, se nos esquecemos de quem realmente somos, se tomamos rápidas doses de energia ao criticar os outros, por entrarmos em ganância ou opções fáceis, nossa energia se escoará. Se abusamos de nós ou de alguém, de algum modo não teremos uma consciência clara. Isso acontecerá em nossa mente. E quando formos à nossa Sala da Alma, não haverá paz, mas punição. Punição autoinfligida, a punição de uma mente atribulada.

É um paradoxo da espiritualidade, que a verdadeira autoestima vem quando nós, de fato, vamos além de nosso “eu”. Se transcendermos a nós mesmos, se não tivermos desejos egoístas ou teimosos, podemos nos tornar instrumentos da vontade de Deus. Então, nosso propósito na vida torna-se muito claro. E é somente quando temos um propósito claro que podemos ter autoestima verdadeira. Quando vamos além de nossos “Eus”, então, encontramos a alma. Então, nosso propósito na vida torna-se simplesmente aprender a amar e trazer paz à Terra de qualquer maneira que pudermos. Pode ser através da composição de uma sinfonia ou de assar bolos. Isso realmente não importa.

Por dezesseis anos, Lesley Edwards dedicou-se ao desenvolvimento espiritual interior com a Brahma Kumaris. Sua carreira levou-a a ensinar, e ela se entregou de coração a seu trabalho com crianças em diversas escolas de Londres. Permaneceu igualmente comprometida com sua busca espiritual. Como estudante e professora na Brahma Kumaris, ela foi um membro muito amado e respeitado na família BK. Por quase quatro anos, conduziu uma grande batalha interior com a esclerose múltipla e, por fim, o câncer. Faleceu em junho de 1999, mas o legado que deixou nos corações e mentes de todos que a conheciam foi a visão de imensa coragem, serviço altruísta e aceitação serena de seu papel entre nós nesta vida.

Durante seus últimos cinco anos, uma de suas principais áreas de foco foi o desenvolvimento da autoestima. Ela desenvolveu e conduziu cursos pelo Reino Unido, compartilhando tudo o que aprendeu em sua própria jornada. Este é o segundo de dois artigos que ela escreveu antes de sua morte. Como você viu, pela maneira profunda e articulada com que discorre sobre esse importante tópico, ela realizou seu trabalho interno e falou diretamente de sua própria experiência.

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