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por Judy Rodgers e Gayatri Naraine

- “Certa vez tive uma experiência em silêncio que eu a apreciei e a usei. Assim como às vezes vamos diante dos mais velhos buscando por bênçãos, ou vamos diante de Deus buscando pelas bênçãos de Deus, do mesmo modo, certa vez tive uma ideia poderosa e escolhi mantê-la diante de mim, dando-lhe o poder de meus bons votos e bênçãos. Mais tarde, testemunhei que resultados muito bons surgiram a partir dali. Deste modo, mesmo quando tomo um remédio, eu pauso por um minuto e dou bons votos ao meu corpo de forma que o remédio seja efetivo, curando e trazendo força” – Dadi Janki

Veja a si mesmo. Sirva a si mesmo.

Quando escolhemos passar um período de tempo mais longo em silêncio, é útil ter uma meta específica para nosso silêncio. Uma meta pode ser a de ter a realização de minha própria identidade espiritual, conhecer a mim mesmo como um ser espiritual e ver o mundo com uma visão espiritual.

Existe um “olho” interno com o qual posso me ver, e um intelecto com o qual posso me conhecer. Quando uso este olho interno, posso ver claramente aquilo que é eterno e o que é transitório. Em silêncio, passo a apreciar aquilo que é verdadeiro, duradouro e criativo, e não tenho que labutar sobre o que é falso, transitório ou negativo. Esta habilidade de discernir entre o que é eterno e o que é transitório me permite olhar por debaixo de meus defeitos que estão na superfície e retomar meu autorrespeito.

Veja o mundo. Sirva o mundo

Existe a tendência de ficar envolvido com aquilo que está acontecendo na sociedade, com o que as pessoas falam e fazem, e achar que tenho que fazer o mesmo. Com um intelecto extrovertido, foco-me nas ações e reações do palco do mundo. Posso começar a inventar técnicas para responder às cenas das circunstâncias que estão sempre mudando. Quando escolho minhas ações sob a influência de pressões externas, eu limito minha capacidade de promover maior benefício.

Quando me volto para meu interior em silêncio, acesso meu intelecto introvertido, que é a consciência. O intelecto introvertido me permite ver o mundo externo com uma visão de raio X. Posso ver que muitos daqueles que clamam pela paz estão consumidos em conflitos. A visão espiritual vê a desconexão que existe em se clamar pela paz a partir de uma consciência de guerra. Quando entro no silêncio, com a meta de experimentar paz como minha natureza verdadeira e inata, a partir desta consciência torno-me então uma força para a paz no mundo.

Minha Intenção em Silêncio

A jornada rumo ao silêncio começa com a solitude. Fico desprendido de outros.  Frequentemente, não é que a solitude traga paz de imediato. Em solitude, posso inicialmente perceber-me cercado de centenas de pensamentos, memórias, planos e listas vertiginosos que me puxam de volta para o mundo de som. O intelecto introvertido pode atuar como um filtro para me ajudar a mover-me além de tais pensamentos. As coisas que não são úteis a mim fluirão para fora de mim e as coisas que são úteis me levarão para um nível mais profundo de silêncio.

Sei que estou adentrando o silêncio profundo quando sinto o mundo externo se desvanecendo e experimento estar em um estado além do tempo, de luz. Neste estado de completo silêncio, posso sentir minha concentração estabilizando-se e torno-me consciente de estados mais profundos do ser. Estou consciente, por exemplo, que a paz é inata ao ser. Experimento-me como sendo intrinsicamente não-violento. Esta experiência é a semente da ação futura e me faz confiar que posso retornar ao campo da ação, expressando esta qualidade em meu trabalho e relacionamentos.

Há uma ligação absoluta e direta que conecta aquilo que acontece dentro de mim àquilo que estou fazendo no campo da ação. Se quero fazer uma diferença na qualidade de um resultado, não é uma questão de pensar sobre uma técnica melhor. Ao invés disso, esse é um sinal para mover-me para o silêncio com a meta de clarificar minhas intenções, pois elas são as sementes da ação. Uma intenção pura cria um resultado mais poderoso.

 

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